Os Quatro AA de: - Manoel Botelho de Oliveira (1636-1711)
- Tenho resumido
O que o Brasil contém para ser invejado,
E para preferir a toda terra,
Em si perfeito quatro AA encerra.
Tem o primeiro A, nos arvoredos
Sempre verdes aos olhos, sempre ledos;
Tem o segundo A, nos ares puros,
Na temperatura agradável e seguros;
Tem o terceiro A, nas águas frias
Que refrescam o peito e são sadias;
O quarto A, no açúcar deleitoso,
Que é do mundo o regalo mais mimoso,
São, pois, os quatro AA, por singulares,
Arvoredo, Açúcar, Águas, Ares.
Esta poesia, apesar de ter quatorze versos, não é soneto.
Descreve as quatro coisas melhores do Brasil, nos sentido do poeta, que descreveu com entusiasmo a nossa terra, nos tempos coloniais.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Suspeita Injusta
Certo homem perdeu um machado.
Suspeitou imediatamente que o filho do vizinho o havia roubado.
Assim que avistou o menino, teve a impressão de estar vendo um sujeito que acabara de roubar um machado; quando o ouviu falar, suas palavras soaram como as de alguém que acabara de roubar um machado.
Todas as suas atitudes e gestos eram de quem acabara de roubar um machado.
Mais tarde, quando estava cavando uma vala, encontrou o machado perdido.
No dia seguinte, ao tornar a ver o filho do vizinho, achou que suas atitudes e gestos não eram mais as de quem acabara de roubar um machado.
O menino não mudou, quem mudou foi o homem!
E a única razão para essa mudança jaz em sua suspeita.
Suspeitou imediatamente que o filho do vizinho o havia roubado.
Assim que avistou o menino, teve a impressão de estar vendo um sujeito que acabara de roubar um machado; quando o ouviu falar, suas palavras soaram como as de alguém que acabara de roubar um machado.
Todas as suas atitudes e gestos eram de quem acabara de roubar um machado.
Mais tarde, quando estava cavando uma vala, encontrou o machado perdido.
No dia seguinte, ao tornar a ver o filho do vizinho, achou que suas atitudes e gestos não eram mais as de quem acabara de roubar um machado.
O menino não mudou, quem mudou foi o homem!
E a única razão para essa mudança jaz em sua suspeita.
A Vingança Do Leopardo
Uma vez um filhote de leopardo afastou-se de casa e se aventurou entre uma grande manada de elegantes. Seus pais o tinham advertido para manter distância daqueles gigantescos animais, mas ele não lhes deu ouvidos. De repente, houve um estouro da manada e um elefante, sem querer, pisou no filhote.
Pouco depois uma hiena encontrou o corpo e correu a contar aos pais:
- Trago notícias horríveis ela disse. Encontrei seu filhote morto na savana.
A mãe e o pai leopardos deram urros de raiva e desespero.
- Como aconteceu? - Perguntou o pai – Diga quem fez isso com o nosso filho? Não descansarei até me vingar.
- Foram os elefantes. Surpreso disse o pai, os elefantes?
- Sim disse a hiena, via as pegadas deles.
- Não, você se enganou – disse por fim. - Não foram os elefantes. Foram as cabras. As cabras assassinaram meu filho!
Imediatamente deu uma corrida morro abaixo, irrompendo entre um rebanho de cabras que passava no vale e num ataque de fúria, matou todas em vingança.
Pouco depois uma hiena encontrou o corpo e correu a contar aos pais:
- Trago notícias horríveis ela disse. Encontrei seu filhote morto na savana.
A mãe e o pai leopardos deram urros de raiva e desespero.
- Como aconteceu? - Perguntou o pai – Diga quem fez isso com o nosso filho? Não descansarei até me vingar.
- Foram os elefantes. Surpreso disse o pai, os elefantes?
- Sim disse a hiena, via as pegadas deles.
- Não, você se enganou – disse por fim. - Não foram os elefantes. Foram as cabras. As cabras assassinaram meu filho!
Imediatamente deu uma corrida morro abaixo, irrompendo entre um rebanho de cabras que passava no vale e num ataque de fúria, matou todas em vingança.
Ação Justa, Ação Nobre, Ganhas-te um jóia
Meu pai, disse o filho, certa pessoa me entregou, sem recibo, uma grande quantia, mas, não só devolvi-a intacta, como também recusei paga pelo trabalho que tive em guardá-la.
- Fizeste bem, praticaste uma ação justa.
Ação Nobre
Ontem, ia passando à borda do lago e vi cair nele uma criança. Com risco de vida, atirei-me à água e trouxe a criança viva à pobre mãe que chorava.
Fizeste bem, praticas-te uma Ação Nobre.
Uma noite escura, achei um homem, que me ofendera mortalmente, a dormir à beira de um precipício. Com o menor esforço podia atira-lo ao abismo. Despertei-o com cuidado e levei-o para um lugar seguro.
Ganhas-te um jóia disse o pai enternecido!
Quem sabe dominar-se, é capaz de todas as virtudes.
- Fizeste bem, praticaste uma ação justa.
Ação Nobre
Ontem, ia passando à borda do lago e vi cair nele uma criança. Com risco de vida, atirei-me à água e trouxe a criança viva à pobre mãe que chorava.
Fizeste bem, praticas-te uma Ação Nobre.
Uma noite escura, achei um homem, que me ofendera mortalmente, a dormir à beira de um precipício. Com o menor esforço podia atira-lo ao abismo. Despertei-o com cuidado e levei-o para um lugar seguro.
Ganhas-te um jóia disse o pai enternecido!
Quem sabe dominar-se, é capaz de todas as virtudes.
terça-feira, 1 de junho de 2010
UNIDOS A CRISTO
Unidos a Cristo pelo Batismo, o Povo de Deus já participa realmente na vida Celeste de Cristo Ressuscitado, mas esta vida permanece “escondida com Cristo em Deus.” (Cl 3,3)
“Com Ele nos ressuscitou e fez-nos sentar nos céus, em
Cristo Jesus."(Ef. 2,6)
Nutridos com seu Corpo na Eucaristia, já pertencemos ao Corpo de Cristo.
Quando ressuscitarmos no último dia, nós também seremos “manifestados com Ele cheios de Glória. “(Cl 3,3)
Enquanto aguarda esse dia, o corpo e alma do crente participa desde já da dignidade “de ser de Cristo”; daí a exigência do respeito para com o seu corpo, mas também para com o de outrem, particularmente quando este sofre.
O corpo é para o Senhor, e o Senhor é para o Corpo.
Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, ressuscitará também a nós pelo seu poder. “ Não sabeis que vossos corpos é templo do Espírito Santo que está em vos e que recebeste de Deus. (1 Cor.6 19)”
“Com Ele nos ressuscitou e fez-nos sentar nos céus, em
Cristo Jesus."(Ef. 2,6)
Nutridos com seu Corpo na Eucaristia, já pertencemos ao Corpo de Cristo.
Quando ressuscitarmos no último dia, nós também seremos “manifestados com Ele cheios de Glória. “(Cl 3,3)
Enquanto aguarda esse dia, o corpo e alma do crente participa desde já da dignidade “de ser de Cristo”; daí a exigência do respeito para com o seu corpo, mas também para com o de outrem, particularmente quando este sofre.
O corpo é para o Senhor, e o Senhor é para o Corpo.
Ora, Deus, que ressuscitou o Senhor, ressuscitará também a nós pelo seu poder. “ Não sabeis que vossos corpos é templo do Espírito Santo que está em vos e que recebeste de Deus. (1 Cor.6 19)”
sexta-feira, 14 de maio de 2010
O FERREIRO
Um ferreiro, após uma juventude cheia de excessos, resolveu entregar sua vida a Deus. Durante muitos anos trabalhou com afinco, praticou a caridade, mas apesar de toda sua dedicação, nada parecia dar certo. Muito pelo contrário: seus problemas e dividas acumulavam-se: “ É realmente estranho que, justamente depois que você resolveu se tornar um homem temente a Deus, sua vida começasse a piorar. Eu não desejo enfraquecer sua fé, mas apesar de toda sua crença nada tem melhorado.”
Eis o que disse o ferreiro: “Eu recebo, nesta oficina, o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito? Primeiro, eu aqueço a chapa de aço até que fique vermelha; em seguida, pego o martelo mais pesado e aplico golpes até a que peça adquira a forma desejada. Então, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o vapor, enquanto a peça estala por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir este processo, várias vezes, até conseguir a espada perfeita. As vezes, o aço não consegue agüentar este tratamento e se enche de rachaduras e eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então eu simplesmente o coloco no monte de ferro velho que você viu na entrada de minha ferraria.”
Após uma pausa o ferreiro concluiu: “ Tenho aceitado as marteladas que a vida me dá e as vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofre o aço. Mas a única coisa que peço é: Meu Deus, não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim; tente, da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser,mas jamais me coloque no monte de ferro velho das almas.”
Eis o que disse o ferreiro: “Eu recebo, nesta oficina, o aço ainda não trabalhado e preciso transformá-lo em espadas. Você sabe como isso é feito? Primeiro, eu aqueço a chapa de aço até que fique vermelha; em seguida, pego o martelo mais pesado e aplico golpes até a que peça adquira a forma desejada. Então, ela é mergulhada num balde de água fria e a oficina inteira se enche com o vapor, enquanto a peça estala por causa da súbita mudança de temperatura. Tenho que repetir este processo, várias vezes, até conseguir a espada perfeita. As vezes, o aço não consegue agüentar este tratamento e se enche de rachaduras e eu sei que jamais se transformará numa boa lâmina de espada. Então eu simplesmente o coloco no monte de ferro velho que você viu na entrada de minha ferraria.”
Após uma pausa o ferreiro concluiu: “ Tenho aceitado as marteladas que a vida me dá e as vezes sinto-me tão frio e insensível como a água que faz sofre o aço. Mas a única coisa que peço é: Meu Deus, não desista, até que eu consiga tomar a forma que o Senhor espera de mim; tente, da maneira que achar melhor, pelo tempo que quiser,mas jamais me coloque no monte de ferro velho das almas.”
segunda-feira, 10 de maio de 2010
O Primeiro Dente
“Anda a casa uma alegria extraordinária.
Algum notável e estranho acontecimento põe todos em polvorosa.
Até parece um dia de festa!
Foi isto: Tim- Tim já tem um dente, já tem um pequenino dente da cor da neve.
Há pouco quando traquinava no colo materno, o nenê abrira a boca e a jovem mãe descobriu, então, na gengiva do maxilar inferior, uma pontinha de diamante, rompendo, como um sol, as rosas da carne e enchendo de luz todo o céu... Da boca.
Um dente – o primeiro! Deliciosa surpresa!
Dadá, sentada em um banquinho, tem, de pé sobre os joelhos, o filhinho. Envolve-o amorosamente na luz e carinhosa, no seu santo desalinho da maternidade, de seus grandes olhos castanhos; as tranças desfazem-se pelos ombros, emoldurando, um rosto, belo,mas de uma beleza feita de serenidade,de amor, de muito amor.
Sua boca energicamente talhada arqueia-se em um adorável sorriso de contentamento.
Tim-Tim bate-lhe no rosto com as mãozinhas, vestindo apenas uma camiseta. Mal se agüenta nas perninhas curtas e rechonchudas.
E o dentinho lá está... Mal se percebe surgindo entre o círculo cor de rosa, que vai despontando na gengiva... Mal se percebe, e, no entanto que festa! Que júbilos!
Todos querem vê-lo, todos querem apalpá-lo
-Cá está ele! Picou-me o dedo. Que engraçadinho!
O avo, velhinho, muito risonho, Toma o netinho no colo.
Eh! Eh! Já tem um dente, o maroto! É como o vovô, que também só tem um dente!”
Antonio Valentim da Costa Magalhães. Formou-se em Direito, Escritor nacional, da Academia Brasileira de Letras, jornalista, (nasceu no Rio de Janeiro em 1859 e faleceu em 1903.)
Algum notável e estranho acontecimento põe todos em polvorosa.
Até parece um dia de festa!
Foi isto: Tim- Tim já tem um dente, já tem um pequenino dente da cor da neve.
Há pouco quando traquinava no colo materno, o nenê abrira a boca e a jovem mãe descobriu, então, na gengiva do maxilar inferior, uma pontinha de diamante, rompendo, como um sol, as rosas da carne e enchendo de luz todo o céu... Da boca.
Um dente – o primeiro! Deliciosa surpresa!
Dadá, sentada em um banquinho, tem, de pé sobre os joelhos, o filhinho. Envolve-o amorosamente na luz e carinhosa, no seu santo desalinho da maternidade, de seus grandes olhos castanhos; as tranças desfazem-se pelos ombros, emoldurando, um rosto, belo,mas de uma beleza feita de serenidade,de amor, de muito amor.
Sua boca energicamente talhada arqueia-se em um adorável sorriso de contentamento.
Tim-Tim bate-lhe no rosto com as mãozinhas, vestindo apenas uma camiseta. Mal se agüenta nas perninhas curtas e rechonchudas.
E o dentinho lá está... Mal se percebe surgindo entre o círculo cor de rosa, que vai despontando na gengiva... Mal se percebe, e, no entanto que festa! Que júbilos!
Todos querem vê-lo, todos querem apalpá-lo
-Cá está ele! Picou-me o dedo. Que engraçadinho!
O avo, velhinho, muito risonho, Toma o netinho no colo.
Eh! Eh! Já tem um dente, o maroto! É como o vovô, que também só tem um dente!”
Antonio Valentim da Costa Magalhães. Formou-se em Direito, Escritor nacional, da Academia Brasileira de Letras, jornalista, (nasceu no Rio de Janeiro em 1859 e faleceu em 1903.)
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